Superfungo resistente preocupa cientistas e pode ter relação com a crise climática
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O superfungo Candida auris tem preocupado autoridades de saúde em vários países e volta ao centro do debate científico após estudos indicarem que as mudanças climáticas podem estar favorecendo sua adaptação e disseminação. A avaliação foi destacada pela CNN Brasil com base em análises de especialistas internacionais.
O microrganismo é considerado uma ameaça relevante porque apresenta alta resistência aos principais medicamentos antifúngicos e já foi identificado em praticamente todos os continentes.
Relação com o aquecimento global
Segundo cientistas ouvidos pela reportagem, existe uma hipótese consistente de que o aumento das temperaturas globais esteja ajudando alguns fungos a evoluírem para suportar melhor o calor, inclusive o do corpo humano.
O microbiologista Arturo Casadevall explicou que os mamíferos sempre tiveram uma proteção natural contra muitos fungos por causa da temperatura corporal. Porém, se o planeta aquece e os fungos se adaptam ao calor, alguns podem ultrapassar essa “barreira térmica” e infectar humanos com mais facilidade.
A própria CNN Brasil ressalta que cientistas acreditam que as mudanças climáticas podem ser a causa do aumento de infecções em humanos, embora o tema ainda esteja em investigação.
Por que o Candida auris preocupa
O fungo foi identificado pela primeira vez em humanos em 2009 e, desde então, se espalhou globalmente.
Entre os principais fatores de risco apontados por especialistas estão:
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resistência a múltiplos antifúngicos
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capacidade de sobreviver por longos períodos em superfícies
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facilidade de provocar surtos hospitalares
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potencial de causar infecções invasivas e fatais
Pacientes imunocomprometidos ou internados em UTI são os mais vulneráveis.
Situação no Brasil
O primeiro caso brasileiro foi confirmado em 2020, em Salvador (BA).
O maior surto registrado no país ocorreu entre 2021 e 2022, com dezenas de casos em um hospital de Recife.
O que a ciência diz — e o que ainda não é certeza
Especialistas tratam a ligação entre clima e o superfungo como uma hipótese plausível, mas ainda em estudo. Pesquisas indicam que o aquecimento global pode modificar a epidemiologia de patógenos fúngicos e favorecer sua adaptação térmica, mas o fenômeno segue sendo investigado pela comunidade científica.