
Fim das bets coloca TV e esporte diante de uma nova crise no cenário financeiro do Brasil
Proibição das apostas de quota fixa interrompe uma importante fonte de publicidade e patrocínio, obrigando emissoras, clubes e eventos esportivos a buscar alternativas de receita
A proibição das chamadas bets no Brasil já começa a provocar mudanças no mercado de televisão e no esporte. A retirada das empresas de apostas da publicidade e dos patrocínios atinge emissoras, programas, clubes, campeonatos e outras propriedades esportivas que tinham essas empresas entre seus anunciantes e parceiros comerciais. O cenário foi analisado pelo colunista Flávio Ricco, do Portal LeoDias, que aponta que os efeitos da mudança ainda devem se estender pelos próximos meses.
A mudança ocorre após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro. A medida proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no território nacional, incluindo ações de comunicação, marketing e patrocínio.
Televisão perde uma importante fonte de publicidade
Na televisão, a nova regra afeta diretamente contratos publicitários e propriedades comerciais que tinham as bets como patrocinadoras. De acordo com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a MP produz impactos imediatos sobre contratos mantidos pelas emissoras com empresas de apostas. A entidade recomendou que suas associadas interrompessem novas veiculações de publicidade e patrocínios relacionados às bets.
O mercado publicitário também começa a se reorganizar. Reportagem do Notícias da TV aponta que anunciantes tradicionais que haviam perdido espaço para as empresas de apostas podem voltar a investir na televisão, em um movimento que pode alterar os preços e a distribuição das cotas comerciais.
A mudança, portanto, não representa apenas a saída de uma categoria de anunciantes. Emissoras e produtoras precisam reorganizar espaços publicitários que, nos últimos anos, passaram a receber investimentos expressivos do setor de apostas.
Esporte também sente o impacto
O futebol é outro setor diretamente afetado. Clubes brasileiros tinham contratos de patrocínio com empresas de apostas, e algumas competições também contavam com essas companhias como patrocinadoras.
Antes da publicação da MP, clubes já haviam se manifestado sobre a possibilidade de restrições mais amplas às apostas. Em setembro, equipes como Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Palmeiras, Santos e São Paulo participaram de uma manifestação em defesa da manutenção de um mercado regulado. Os clubes argumentaram que os investimentos das empresas de apostas haviam se tornado uma fonte relevante de receita para o futebol.
Agora, com a MP em vigor, contratos de publicidade e patrocínio precisam ser adequados às novas regras. A ABERT informou que a medida estabelece prazo para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio já veiculados.
O que acontece com o dinheiro que vinha das bets?
Esse é um dos principais pontos levantados pelo debate atual. A saída das empresas de apostas significa que valores que circulavam entre emissoras, clubes, campeonatos, atletas, eventos e outros agentes deixam de entrar nesses contratos.
Na avaliação apresentada por Flávio Ricco em sua coluna, o impacto não ficará restrito aos departamentos financeiros das empresas. Programas, eventos, clubes e profissionais envolvidos nessas produções esportivas e televisivas também precisarão encontrar novas fontes de receita.
Ao mesmo tempo, outros setores do mercado publicitário podem ocupar parte desse espaço. O Notícias da TV relata que empresas tradicionais já avaliam ampliar seus investimentos em televisão diante da saída das bets.
Nova realidade para televisão e esporte
A mudança cria um período de adaptação para os dois setores. Na televisão, emissoras terão de substituir anunciantes e renegociar propriedades comerciais. No esporte, clubes e competições precisarão reorganizar seus contratos de patrocínio.
O governo também estabeleceu regras de transição e medidas para o encerramento das operações atingidas pela MP. Segundo a Agência Brasil, as empresas que operavam legalmente deixam de poder oferecer apostas ou realizar publicidade da atividade, enquanto a medida prevê procedimentos para o encerramento das plataformas e devolução de valores que permanecerem nas contas dos apostadores.
O cenário ainda está em desenvolvimento, e os próximos meses devem mostrar como televisão, publicidade e esporte irão se adaptar à ausência das bets como fonte de investimento.
https://portalleodias.com/colunas/flavio-ricco/fim-das-bets-deixa-tv-e-esporte-diante-de-um-e-agora-que-so-esta-comecando



